Um vegano a mais ou a menos não vai fazer diferença

Quando confrontados com a enormidade da exploração animal a nível mundial – com milhões de animais que diariamente são mortos na indústria pecuária – é fácil resignarmo-nos, achando que as ações de uma única pessoa têm um impacto praticamente nulo. Não é um vegano a mais ou a menos que vai abalar a indústria pecuária, pensamos. Embora seja muito difícil avaliar a diferença que faz uma única pessoa, o mercado regula-se pela lei da oferta e da procura, e é certo que cada vegano contribui para engrossar um movimento que, no seu todo, faz uma enorme diferença.

Em qualquer caso, mesmo que a tua adesão ao veganismo não fizesse diferença absolutamente nenhuma no número de animais que são explorados e mortos, tal continuaria a ser um dever ético. O que é certo ou errado não se mede apenas pelas consequências diretas.

Imagina que um grupo de xenófobos raivosos agride um estrangeiro até à morte. No momento seguinte, outro xenófobo passa pelo local e junta-se também a dar pontapés na vítima. Na verdade, este último ignóbil não fez nenhuma diferença, porque a pessoa já estava morte. Será que a ação dele foi moralmente neutra? Claro que não, ele participou na violência e o lugar dele é na prisão, juntamente com os restantes.

Uma ação não se avalia apenas pelas suas consequências, mas pela natureza da ação e pelas intenções de quem a pratica. E quem é bem intencionado não violenta outros só porque são diferentes.